Por Veluma Marzola
Psicóloga · CRP 06/124019
Publicado em 09/02/2019 · Atualizado em 15/07/2026
Ter uma mente inquieta pode trazer muitos prejuízos para nós. Gostaria de aprender a aquietá-la? Leia nossas dicas!
Quem nunca foi assolado por ideias e pensamentos excessivos, ao ponto de chegar a perder o foco e até mesmo gerar ansiedade? Ser dotado de uma mente inquieta pode ser bem desagradável.
Ela pode despertar, por exemplo, um processo cognitivo conhecido na psicologia por ‘ruminação’ que é caracterizado por pensamentos e imagens intrusivas e repetitivas.
Não há nada de errado em analisar situações vividas, ou mesmo em ter ideias e pensamentos.

O problema é que quando estamos no processo de ruminação, por exemplo, passamos a vivenciar eventos passados sem resolução por repetidas vezes, ocasionando o aumento da ansiedade e da depressão.
Gostaria de entender um pouco mais sobre a mente inquieta? E obter algumas dicas de como acalmá-la? Então leia nosso texto.
Por que algumas pessoas têm a mente inquieta?
Os psicólogos há muito se interessam em estudar fatores que predispõem algumas pessoas a serem assaltadas por pensamentos, sejam eles novas ideias ou repetições de eventos passados.
A questão é que todos temos esses processos cognitivos, só que algumas pessoas são mais predispostas a eles.
Aliás, você sabia que o aumento da inteligência emocional é também associado a diminuição dos pensamentos descontrolados e ruminação, ou seja, uma mente inquieta?
Os pesquisadores Peter Salovey e John Mayer cunharam pela primeira vez o termo inteligência emocional em 1990.
Eles descreveram que a inteligência emocional deve ter quatro habilidades distintas:
- Percepção de emoções;
- Uso de emoções;
- Compreensão de emoções;
- Gerenciamento de emoções.
Eles ainda afirmaram que as pessoas emocionalmente inteligentes são mais capazes de processar e assimilar suas emoções, facilitando as suas respostas adaptativas aos acontecimentos.
Quando tentamos evitar vivenciar as emoções negativas, o que pode resultar é que ela achará outro meio de dar vazão como a repetição de padrões negativos, compulsões e até mesmo pensamentos inquietos e ruminação – todos eles comuns a uma mente inquieta.
Dicas para acalmar uma mente inquieta
Se você é uma das muitas pessoas que lutam com o excesso de pensamento, saiba que é possível sair do ciclo mental infinito. Gostaria de saber como? Leia abaixo as dicas.
1. Aprenda a rotular suas emoções
As emoções que não são rotuladas são facilmente mal compreendidas, muitas vezes levando a consequências contraproducentes.
A capacidade de identificar sentimentos e emoções fornece uma proteção contra a mente inquieta.
Pessoas que rotulam suas emoções são mais eficazes em diminuir o pensamento excessivo a fim de tentar entender o que aconteceu.
Dica prática: em vez de tentar reprimir as emoções desagradáveis, reconheça-as, dê-lhes um rótulo apropriado.
2. Melhore seu vocabulário emocional
Para rotular de forma eficaz as emoções, é necessário ter um vocabulário emocional funcional. Pessoas com inteligência emocional são capazes de identificar o que estão sentindo, devido ao seu vocabulário emocional expansivo.
Dica prática: a próxima vez que alguém lhe perguntar como você está se sentindo, ao invés de responder com um “bem” ou “mal” tente articular melhor. “Hoje estou me sentindo mais aliviada por ter finalizado aquele projeto”. “Estou me sentindo angustiado porque penso que não fui bem naquela prova.”
3. Distraia-se
A distração é uma estratégia adaptativa de regulação emocional que pode reduzir a ansiedade, a depressão e melhorar o humor.
Estratégias de distração envolvem uma mudança intencional de atenção de emoções desagradáveis para um estado emocional mais neutro ou positivo.
Dica prática: se você tiver uma situação desconfortável com alguém, por exemplo, tente distrair suas emoções desagradáveis conversando com outro amigo sobre algo divertido, como uma próxima viagem, por exemplo.
4. Faça uma reavaliação cognitiva
A reavaliação cognitiva envolve o ato intencional de mudar o significado de uma emoção (ou uma situação que leva a uma emoção), para minimizar quaisquer sentimentos negativos.
A reavaliação é uma habilidade altamente adaptativa que tem sido associada a níveis mais baixos de depressão e maiores níveis de bem-estar psicológico.
Dica prática: a próxima vez em que você perceber que está ansioso com um evento reavalie a emoção como excitação. Diga para si mesmo que o seu corpo está apenas se preparando para a apresentação.
5. Aprenda a aceitar os acontecimentos
A aceitação emocional é um processo que envolve o aumento da autoconsciência.
Quando as pessoas escolhem aceitar emocionalmente uma situação, elas não apenas se tornam mais conscientes de suas emoções como também aprendem a aceitá-las sem julgamento e sem tentar mudá-las.
Ao conseguir reconhecer emoções e a não se sentirem ameaçado por elas, você pode aprender a transformá-las cognitivamente. Essa prática irá ajudá-lo a aumentar a resiliência, permitindo que as pessoas lidem melhor com futuros eventos estressantes.
Dica prática: a meditação é uma maneira de praticar a aceitação de emoções. Ela promove a atenção plena que ensina a ter consciência das experiências internas e externas. E isso é muito útil para aprender a aceitar emoções desagradáveis.
Estas são algumas dicas que irão ajudá-lo a aquietar uma mente inquieta, reduzir pensamentos intrusivos, obsessivos etc. Mas para um apoio maior, é papel do psicólogo ajudá-lo de forma completa. Ele identificará a causa dessas situações e pode fornecer um tratamento completo através da psicoterapia.
Gostou do artigo? Então pode se interessar por esse também: Qual é a função das emoções?
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Autor: Psicóloga Veluma Marzola - CRP 06/124019Formação: A psicóloga Veluma é formada há mais de 10 anos e é especialista em Terapia Cognitivo Comportamental. Possui experiência em escuta e acolhimento em Terapia Individual e Terapia de Casal. Atende demandas como ansiedade generalizada, conflitos profissionais, amorosos e familiares, disfunção sexual...
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