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Novembro Azul: tudo sobre o movimento e a saúde mental masculina

Novembro Azul: tudo sobre o movimento e a saúde mental masculina

O Novembro Azul é o movimento global dedicado à saúde dos homens, mais especificamente à saúde dos pacientes de câncer de próstata. A cada ano, cerca de 65 mil brasileiros são diagnosticados com a doença. Como os sintomas tendem a aparecer somente quando o câncer está avançado, a maioria dos homens descobre a patologia tardiamente.

O diagnóstico tardio dificulta a cura do câncer de próstata. Por isso, as consultas anuais ao médico a partir dos 50 anos são indispensáveis para garantir a saúde dos homens nessa faixa etária.

Embora a maioria dos casos da doença seja registrada acima dos 65 anos ou mais, homens com 45 anos, com fatores de risco, e com 50 anos, sem fatores de risco, já podem dar início a consultas rotineiras.

Como surgiu o Novembro Azul?

O Novembro Azul é mais recente que outros movimentos mundiais de conscientização e de saúde, como o Outubro Rosa e o Setembro Amarelo. Ele surgiu em 2003, quando dois amigos australianos decidiram deixar o bigode crescer para fazer alusão à saúde masculina.

Já que o dia 17/11 é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, eles escolheram o mês de novembro para iniciar o projeto. Todos os anos, eles deixariam o bigode crescer para relembrar os homens de cuidarem da saúde. Ele se tornaria um símbolo, assim como o laço rosa se tornou o símbolo do Outubro Rosa.

À medida que as pessoas se interessavam pela iniciativa dos amigos, surgiam mais e mais discussões sobre a saúde masculina. Logo, eles criaram a Movember Foundation(Fundação Movember, em português), dedicada exclusivamente às questões de saúde do homem, sobretudo, a saúde mental, a prevenção ao suicídio, o câncer de próstata e o câncer testicular.

A partir de então, a Movember Foundation passou a aparecer no cenário global de conscientização do câncer. Atualmente, a fundação possui mais de 5,5 milhões de apoiadores ao redor do mundo.

Como é o Novembro Azul no Brasil?

O Brasil embarcou nessa jornada em 2008. Durante todo o mês de novembro, acontecem atividades de conscientização e a iluminação de monumentos na cor azul. Discussões sobre a saúde masculina são extensas, procurando atingir o maior número possível de homens e elevar o índice de diagnósticos precoces de câncer de próstata.

O Novembro Azul também busca quebrar preconceitos em relação ao diagnóstico do câncer, uma vez que esse é feito por meio do toque retal. A maioria dos homens na idade de risco para a doença não procura o médico por vergonha.

Novembro Azul: a quebra de tabus para o bem da saúde masculina

Quando o câncer de próstata é diagnosticado precocemente, há uma probabilidade de cura de até 90%. A negligência com a saúde gera dificuldades no tratamento da doença e maior sofrimento com os sintomas. Na fase avançada, esses envolvem dor óssea, dores ao urinar, sangue na urina ou no sêmen, e vontade frequente de urinar.

Valor Consulta Psicóloga Cláudia






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Apesar de o foco ser o câncer de próstata, as discussões entorno do exame de toque retal ainda são tímidas. No Outubro Rosa, por exemplo, as mulheres são exaustivamente incentivadas a fazer o autoexame e a mamografia. O mesmo fervor não é encontrado no Novembro Azul devido ao procedimento estar envolto em preconceitos oriundos dos próprios homens.

O receio em fazer o exame tem raíz em concepções machistas, que procuram “preservar a masculinidade” da população masculina. São feitas piadas e até vídeos de humor sobre o exame, estimulando a negligência com a própria saúde.

Muitos homens também se recusam a fazer o exame por garantirem não sentir sintomas. Entretanto, como visto anteriormente, esses são silenciosos e somente sentidos quando o câncer se encontra em um estágio avançado.

Além do receio em fazer o exame, a possibilidade de impotência sexual é outro problema costumeiramente colocado na balança.

Embora somente uma pequena parcela dos homens apresente impotência moderada ou severa durante ou após o tratamento, o medo de ter a “masculinidade” afetada pesa na hora de decidir consultar o urologista.

O Novembro Azul, nesse contexto, busca quebrar tabus relacionados ao diagnóstico câncer de próstata. As ações para acabar com o preconceito, no entanto, ainda são escassas e, às vezes, pouco aceitas.

Por que os homens são mais negligentes com a saúde?

Já é difícil convencer os homens a fazer check-ups regulares no médico na ausência de uma doença grave, como diabetes ou hipertensão, imagine, então, para fazer um procedimento pouco confortável para eles. A falta de autocuidado pode ser resultado da cultura de “homem não chora” ainda disseminada no país.

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A procura por ajuda pode ser interpretada como fraqueza, garantindo que os homens se mantenham longe dos médicos por muitos anos. As mulheres, por outro lado, são corriqueiramente incentivadas a se cuidarem. Na família, na mídia, entre as amigas… Em todo lugar, recebem mensagens positivas sobre o autocuidado.

Desde pequenas, as meninas são ensinadas a cuidar da aparência e do corpo. Assim, não se sentem julgadas ou diminuídas quando procuram um médico. Pelo contrário, muitas mulheres o fazem com prazer e garantem diagnósticos precoces de muitas doenças.

O mesmo não costuma acontecer com os meninos. Quando não são incentivados a bancarem os fortes e indestrutíveis em todas as situações, não recebem informações suficientes sobre a importância do cuidado com a saúde. Felizmente, nos últimos anos, essa cultura vem se modificando lentamente.

O temor do procedimento para detectar o câncer de próstata, contudo, deve ser combatido com maior afinco. A compreensão de que o exame é necessário para impedir uma possível tragédia, bem como mais informações didáticas sobre o câncer, precisa ser promovida em mais plataformas durante o Novembro Azul.

O exame, embora possa ser uma experiência embaraçosa, é feito rapidamente e com propósito único de cuidar da saúde do homem.

Demais preocupações existem somente em virtude de convenções sociais criadas e fortalecidas pelos próprios homens, ou seja, não são verdades absolutas nem devem ser motivo de inquietação. 

Importância da psicoterapia para pacientes de câncer de próstata

A psicoterapia pode ser essencial para muitos pacientes de câncer de próstata, seja logo após o diagnóstico ou durante o tratamento da doença.

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A autoestima e o humor do paciente podem ser afetados a qualquer momento durante a vivência com o câncer. Portanto, a acompanhamento psicológico se faz necessário para evitar depressão, ansiedade, pânico ou deturpações na ideia de masculinidade do paciente.

Ele pode sentir-se “menos homem” ao ter a sua função sexual levemente ou severamente afetada. Nesse período, a raiva, o medo e a tristeza podem se tornar constantes e afetar o relacionamento com a parceira. O convívio familiar também pode se tornar inviável devido à dificuldade de aceitação da patologia.

As mudanças corporais que acontecem durante o tratamento podem, ainda, causar revolta no paciente de câncer de próstata. Ele terá que passar por uma fase de redescoberta do próprio corpo para compreender as limitações causadas pela doença.

Assim sendo, a psicoterapia poderá ser requerida para devolver ao homem o bem-estar emocional e psicológico!

O paciente pode ficar receoso em buscar ajuda psicológica por não acreditar que um psicólogo conseguirá ajudá-lo, não querer parecer (mais) fraco ou não desejar falar sobre intimidades. Todavia, a terapia poderá auxiliá-lo nos seguintes sentidos:

  • Acompanhar as oscilações de humor desde o diagnóstico até o fim do tratamento;
  • Acalmar o paciente em relação aos desafios presentes nessa fase da vida;
  • Trabalhar crenças negativas geradoras de sofrimento, como “disfunção sexual causa perda da masculinidade”;
  • Modificar a visão do paciente sobre a sua própria masculinidade, substituindo-a por uma visão mais saudável;
  • Apaziguar conflitos no relacionamento amoroso ou convívio familiar;
  • Ouvir os desabafos do paciente sem julgamento para que emoções ou pensamentos negativos não sejam acumulados;
  • Prevenir o surgimento da depressão e outras condições que causam o descaso com a saúde;
  • Incentivar a vivência diária regular durante o tratamento, como encontro com amigos, envolvimento em atividades, engajamento com hobbies, entre outros;
  • Ajudar o paciente a aceitar a sua realidade; e
  • Oferecer um local seguro e confidencial, livre de inibições, onde o paciente possa se sentir confortável.

Em qualquer momento durante o tratamento do câncer de próstata, o homem pode procurar a psicoterapia. Não é obrigatório falar sobre assuntos considerados difíceis ou vergonhosos nas consultas. O paciente é livre para expressar-se da maneira que quiser.

O importante é passar informações honestas sobre emoções, sentimentos e pensamentos ao psicólogo. Dessa forma, ele poderá ajudar nesse momento tão emocionalmente e psicologicamente delicado para muitos homens.

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*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

Sobre Psicóloga Thaiana Brotto

CRP 106524/06. CEO do consultório Psicologo Com.Br. Graduação em Psicologia pela PUC-PR em 2008. Pós-graduação em Terapia Comportamental pela USP. E pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental pelo ITC.

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