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Tenho o direito de permanecer sedentário?

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Mesmo que exercícios sejam muito importantes para o bem-estar, se sentir culpado por não fazê-los pode ser tão prejudicial quanto a falta deles.

Embora não haja dúvida sobre os benefícios da atividade física regular, a cultura dominante promove a mensagem de que as pessoas precisam praticá-los para serem parte de algo, da tribo “dos saudáveis e corretos”.

Ou seja, traz a ideia de que quem não pratica torna-se excluído do círculo dos mais atraentes e mais bem-sucedidos. Ela nos ensina a associar nosso valor como seres humanos ao que comemos, quanto nos exercitamos e com o que parecemos.

Essa glorificação cultural da “disciplina” e elogios a corpos com pouca gordura e músculos visivelmente tonificados transformam comportamentos relacionados à saúde em imperativos morais. E isso pode ser muito perigoso e até desencadear transtornos de imagem e alimentar, alertam os psicólogos.

Valor Consulta Psicóloga Cláudia






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Enquanto isso, uma pandemia global atrapalhou nossas rotinas típicas, e eventos recentes destacaram o racismo sistêmico e desencadearam conversas há muito esperadas sobre justiça social. Com tanta inquietação, é claro, não estamos todos aderindo ao regime de exercícios.

Se você está se envergonhando por se exercitar menos do que o normal hoje em dia, talvez seja hora de questionar o sistema que o ensinou a associar dieta e exercício à sua autoestima.

O desenvolvimento de um relacionamento pacífico com a atividade física pode ajudá-lo a liberar espaço para se concentrar nas prioridades maiores.

Que tal desenvolver um relacionamento saudável com os exercícios físicos, e, de quebra, ter seu autoconhecimento e autoestima mais fortalecidos? É papel do psicólogo ajudar, então confira nossas dicas.

Sintonize sua sabedoria interior

Sintonize sua sabedoria interior

Existem inúmeras informações sobre o que comer, quanto sono precisamos, quanta atividade física devemos obter e quanto dinheiro economizar.

É ótimo se educar, mas as informações do mundo exterior não podem substituir as do seu mundo interior. 

Todos temos pistas internas nos dizendo quando nos sentimos cansados, com fome, com sede ou inquietos. Sabemos quando precisamos de um abraço e quando necessitamos ficar sozinhos. Sabemos quando nos sentimos capacitados para a atividade física e sabemos quando nos sentimos sobrecarregados por ela.

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Infelizmente, com o tempo, muitos perdemos contato com essa sabedoria interior. Embora possamos querer ouvir nossas pistas internas, a cultura dominante nos alimenta com as regras que devemos seguir para alcançar sua versão da saúde.

Muitos de nós se tornaram escravos de contadores de passos e ferramentas de registro de calorias. Embora essas ferramentas possam fornecer dados, você decide a importância que deve anexar a essas informações. Você certamente não precisa tirar conclusões sobre seu sucesso ou valor próprio a partir desses números.

Se você tem medo de não se mover “o suficiente” sem o feedback de um rastreador de fitness ou monitor de batimentos cardíacos, talvez esteja fora de sintonia com as dicas do seu corpo. Seu corpo tem sua própria definição de suficiente que varia dia a dia.

Para reconectar, tente deixar seus dispositivos para trás na próxima vez que caminhar ou correr. Preste atenção em sua respiração, sinta seu batimento cardíaco e observe se você se sente cansado, energizado ou no limite. Lembre-se, o suficiente não é um número, é um sentimento.

Se você se exercita ou não, não é da conta de ninguém

Se você se exercita ou não, não é da conta de ninguém. É apenas da sua

Mova-se de alegria, não de aparência. A cultura da dieta e exercícios diz que, se nos exercitarmos, teremos corpos mais magros ou mais musculosos. Muitas pessoas se apegam a essa promessa para se motivar. 

Isso é uma armadilha, pois, para a maioria das pessoas, a genética nos impede de atingir um corpo que nossa sociedade considerou “ideal” sem torná-lo um trabalho de período integral e recorrendo a comportamentos desordenados.

De fato, muitas pessoas que não parecem a parte do que a sociedade considera uma pessoa fisicamente adequada são bastante atléticas e saudáveis. 

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E há pessoas que se encaixam no padrão ideal da sociedade, porém elas não são saudáveis, nem fisicamente, nem psicologicamente. Elas, muitas vezes, recorrem a rotinas de condicionamento perigosas e extenuantes, hormônios ilegais e prejudiciais e dietas severas. Acabam desenvolvendo transtornos de imagem e alimentares graves como anorexia, bulimia, vigorexia e muito mais. 

Qual é o ideal de exercícios?

A prática de exercícios ideal é àquela que nos leva ao prazer e a saúde. Àquela que tem unicamente uma finalidade estética (que muitas vezes nem é nossa), pode desencadear problemas.

Em vez de buscar a perda de gordura ou um abdome “tanquinho” você pode tentar aumentar sua velocidade, resistência ou flexibilidade e prestar atenção à sensação do seu corpo antes, durante e depois de se mover. Veja se você pode se conectar às formas de movimento que lhe parecem divertidas. 

Em suma, não é errado querer ficar esteticamente bonito. Mas desde que isso seja uma vontade sua, e não pressão social. Que siga seus padrões e valores. E o mais importante, o exercício deve ser uma atividade prazerosa e divertida.

Respeite seus limites

A cultura dominante promove uma narrativa baseada em vergonha e “sem folga!”. Para muitos de nós, essa mensagem pode parecer punitiva e nos leva a perseguir eternamente um ideal inatingível. 

A longo prazo, os humanos não prosperam em extremos; prosperamos com equilíbrio. Permita-se encontrar o equilíbrio que torna seu corpo mais feliz. Talvez depois de alguns dias de atividade, você precise descansar. Talvez depois de levantar pesos, seus músculos doloridos desejem algum alongamento. 

Levar o corpo a extremos pode criar um relacionamento compulsivo com o exercício ou levar a doenças ou ferimentos. Manter canais abertos de comunicação entre mente e corpo permitirá que você sintonize o que mais o beneficiará em um determinado dia. Respeite seus limites e reconheça que sua versão do equilíbrio pode parecer diferente da de outra pessoa.

Aprenda a ver a saúde como subjetiva. Muitos de nós ouvimos falar dos benefícios do exercício há tanto tempo que pode parecer rebelde ou de alguma forma errado admitir que você não é ativo. 

Frequentemente, quando somos socialmente condicionados a acreditar que algo é importante, não paramos para questionar se essa coisa é genuinamente nossa prioridade ou se é apenas algo que nos foi ensinado que devemos priorizar.

A cultura da dieta pode atrapalhar

A cultura da dieta e dos exercícios nos ensina que preocupar-se com a saúde é dieta e exercícios, a fim de alcançar aquele corpo ideal, custe o que custar. Mas, quando paramos para pensar, saúde também demanda de sono, relaxamento, prazer, espiritualidade. Às vezes, até mais que um contador de passos.

Talvez sua versão do saudável seja sobre segurança e sobrevivência. Afinal, a pesquisa mostra que os resultados de saúde são altamente influenciados por fatores sociais como discriminação, status socioeconômico, saúde mental e meio-ambiente. Comida e movimento são apenas algumas pequenas peças do quebra-cabeça.

A versão da saúde da Cultura Dietética é inacessível para aqueles que não têm segurança financeira, tempo de lazer e capacidade física necessária para comprar suplementos ou pagar um crossfit. Uma caminhada ou corrida é de graça e pode ser uma atividade divertida.

Como Escolher meu Psicólogo?

Confira no nosso guia completo sobre psicólogo e psicoterapia. Nele você encontrará dicas do que considerar na escolha do seu psicólogo.

COMO ESCOLHER MEU PSICÓLOGO

Ah, é sempre bom lembrar: mesmo aqueles que têm os recursos para executar esta versão da saúde não são obrigados a fazê-lo. 

Cada um de nós merece autonomia para decidir por si próprio se e como a atividade física se encaixa em nossas vidas, sem a moralização, julgamento e pressão das mensagens da cultura fitness.

Se você gosta de atividade física, ótimo: procure da maneira mais enriquecedora para você.

Caso contrário, você tem todo o direito de se concentrar no que quiser. O que você alimenta a si mesmo e como você move (ou não move) seu corpo não é da conta de ninguém, a não ser da sua.

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*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

Sobre Psicóloga Thaiana Brotto

CRP 106524/06. CEO do consultório Psicologo Com.Br. Graduação em Psicologia pela PUC-PR em 2008. Pós-graduação em Terapia Comportamental pela USP. E pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental pelo ITC.

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